Não finja que não existe: relatos de uma tpm qualquer

Não finja que não existe: relatos de uma tpm qualquer

Quando percebi o primeiro pensamento de dúvida e crítica sobre ideias tão bacanas comecei a ficar atenta. Possivelmente outros como esse viriam, anunciando que a fase pré-menstrual estava chegando. Assim acontece comigo. De repente tudo aquilo que gosto e me faz vibrar se torna alvo de questionamentos internos.

Não, eu não gosto muito dessa mudança repentina na minha autoconfiança. Acho que ninguém gosta. A gente gosta de se sentir bem, bonita, produtiva, uma mulher phod@. Mas não é assim sempre. Ou é com você?

Tem gente que prefere colocar música animada, dizer afirmações positivas em frente ao espelho. É verdade que uma boa música até me levanta o semblante, como diria minha vó, mas essa coisa do espelho faz com que eu me sinta meio boba, meio fake. A menos que venha do coração. Porque senão, a quem estou tentando enganar?

Já eu, eu não. Não gosto de fingir que essa fase não existe. Já fiz isso e fiz estragos. Porque no fingir eu mascarava o sentimento, que às vezes é de tristeza, às vezes frustração, às vezes raiva, e quando via, já virava explosão. Putz, quantas falas agressivas podem sair de um corpo mascarado que esconde o que sente ou que nem sequer percebe a emoção…

Sei lá. A cada ciclo aprendo um pouco sobre como posso aproveitar esse momento. Já aprendi, por exemplo, que é na fase pré-menstrual que gosto de fazer os balanços. Porque no fundo, no fundo, sempre temos umas coisinhas que não servem mais nessa vida. E não estou falando de roupas. É nesse período que o que me incomoda fica ainda mais incômodo. Posso, então, olhar com cuidado. Eu faço isso ouvindo música de piano e com o caderno de escrita e desenho na mão. São rabiscos ótimos os que surgem!

Também tenho pensado em buscar ajuda. Pedir a companhia de alguém que saiba exatamente como respeitar meu momento e ao mesmo tempo me inspirar. Ficar sozinha tem sua medida nesses dias. E não dá pra ser alguém muito “frases de autoajuda” porque isso costuma me irritar profundamente. Existe coisa pior do que você estar de bode, se sentindo desmotivada e alguém dizer: “Não fica assim, você precisa se animar. Olha quanta coisa boa você tem na vida!”. Tá, tudo depende. Às vezes funciona.

Meu namorado hoje me perguntou, com carinho, se podia colocar a mão no meu ombro enquanto caminhávamos no shopping em busca daquela única agenda que eu queria comprar. Eu ri. Mas poderia ter ficado brava. TPM tem dessas insconstâncias desesperadoras. Felizmente, para mim e para ele, estou atenta. E que bom que encontramos exatamente a agenda que eu queria. Lidar com a frustração nesses dias costuma ser mais complexo. E que bom que ele me pagou aquele capuccino cheio de raspas chocolate, que ele insiste em tomar/comer feito sobremesa. Vai entender…

Cris Ferrari

Investigando e percebendo corpo, ciclo, mente e comportamento. Mestre em fisioterapia, conduz grupos de práticas corporais com diálogos sobre a percepção de corpo e ciclo menstrual. Personal and professional coach, praticante de meditação budista, mãe do Lucas e doida pelo pôr do sol.

Agora vai ou é só o começo?

Agora vai ou é só o começo?

Eu estava destruída e nem tinha acontecido nada de muito grave comigo. A gente tem uma mania de achar que nossos dramas são os dramas mais dramáticos do mundo. Até falarmos sobre eles e poder vermos que todo mundo, em maior ou menor grau, já passou, ou está passando, por questões parecidas.

 

Um relacionamento tóxico e abusivo, a sensação de não ser boa o suficiente em nada, a descrença na própria capacidade de construir algo foda, o dinheiro que nunca sobra, a dificuldade em encontrar satisfação na vida profissional. Eu sabia que não eram questões exclusivas do meu ser. Mas, naquele momento, o conjunto desses fatores tão comuns me impactou e movimentou uma energia de ação capaz de provocar um furacão, no bom sentido, felizmente.

 

É a tal da gota d’água: CHEGA! Quando acontece, do dia para a noite, começamos a dar um basta em todos os padrões lixos que estamos vivendo repetidas vezes, no modo automático, e que nos trazem a ideia de que não merecemos, de que somos insignificantes, de que não conseguimos nada.

 

PARA MUDAR, EU DECIDI DEIXAR DE LADO AS ILUSÕES E IDEALIZAÇÕES

 

O cansaço me levou ao desejo de encontrar autonomia emocional, tranquilidade nos meus pensamentos, leveza nas minhas relações (todas elas). Eu estava decidida a intensificar o trabalho sujo e doloroso de autoconhecimento e mergulho nas minhas sombras. Quero ver a realidade como ela é. Sim, eu quero ver.

 

Comecei uma jornada em busca de amor próprio, com a vontade de ficar em paz em minha própria companhia, sem depender de nada, nem de ninguém, nem de nenhum fator externo. Autorresponsabilidade. Recomendo.

 

Mas me diz, como é que se faz isso? Qual é o caminho que pode nos conectar com essa fonte de amor e aceitação por sermos quem somos? Eu tinha dois desafios pela frente: vencer a carência emocional e me liberar da necessidade de ser perfeita. E falando assim podem parecer tarefas simples, mas a superficialidade de frases motivacionais vazias não funcionam nesses casos. É preciso desbravar o desconhecido do que está por trás desses padrões.

 

EXISTE MUITO MAIS OPERANDO EM NÓS, MOLDANDO NOSSO COMPORTAMENTO, DO QUE O QUE NOSSO RACIONAL CONSEGUE IDENTIFICAR

 

Comecei por um retiro de conexão com o sagrado feminino, com a ferida do antigo relacionamento aberta, sangrando. Meu corpo estava em colapso. Febre, dor de garganta, sinusite, nem voz eu tinha para compartilhar minha dor. Foi no silêncio que comecei meu processo.

 

Ao longo da jornada pude curar minhas feridas de abusos e agressões, pude honrar minha linhagem feminina, pude reconhecer o universo em mim. Neste processo intensifiquei a meditação e voltei aos estudos sobre o budismo. E, claro, fiz silêncio, muito silêncio, observando minhas emoções, meu corpo, minha mente, meu ciclo menstrual. Tudo isso na vida como ela é, comigo mesma e todas as minhas demandas acontecendo.

 

Neste momento de solidão e isolamento, eu tive medo, senti o pânico – literalmente, deixei de ver o sentido na vida. Mas cada vez que dava de cara com meu lado mais sombrio, eu encarava de frente. Era o que eu poderia fazer ao invés de ignorar, como sempre tinha feito, fugindo daquilo que não era perfeito em mim. Muita coisa deixou de fazer sentido. Muitos assuntos deixaram de fazer parte das minhas conversas, meu corpo começou a gritar por hábitos mais saudáveis.

 

DA MEDO SER A PESSOA QUE NUNCA FOMOS

 

Não é fácil no começo. Mas é tudo muito rico, cheio de descobertas profundas. As mudanças acontecem por dentro e se manifestam fora. Muitas pessoas próximas podem estranhar a mudança e podemos até encontrar alguma dificuldade de deixar ir aquilo que não cabe mais. É como se eu estivéssemos perdendo a única identidade que sabemos que temos. Se eu não sou essa ilusão que construí para me defender, então quem sou? Era aquela pessoa de antes que eu reconhecia como sendo eu e, sem essa identidade, eu não fazia ideia de quem eu era, se seria aceita ou amada nesse novo formato de pensar, sentir, agir. 

 

A cada sombra que eu tomava consciência, eu via ao mesmo tempo o susto e a limpeza acontecendo. Na mesma proporção que me liberava da dor e do sofrimento, eu via as recompensas aparecendo muito rapidamente. Era como se logo depois de reconhecer o motivo pelo qual eu operava num padrão, ter clareza das crenças e dos medos que me bloqueavam, eu enfim estivesse pronta para viver plenamente cada aspecto da minha vida que estava sendo curado. E, então, o universo me trazia um presente.

 

EM CONTATO COM MINHA ESSÊNCIA, EU COMECEI A MANIFESTAR AS REALIDADES QUE DESEJAVA

 

Me mudei da casa dos meus pais, como num passe de mágica, numa oportunidade maravilhosa; conquistei autonomia financeira a partir de trabalho firme e constante, sempre atraindo os clientes certos no momento ideal; fui à praia 3 vezes no primeiro trimestre e fiz uma viagem internacional inesperada; deixei de sentir a necessidade do álcool para driblar a timidez, me tornar a engraçadona e ser aceita e admirada; encontrei um homem (ah que homem…) que possui muitas características que valorizo, me apaixonei por ele e vivencio uma relação saudável onde me sinto imensamente amada, me dando a certeza de que é um encontro de almas; e finalizo o ano retomando e começando trabalhos que movem meu coração com a certeza de que eles já deram certo, já estão abundantes para mim e para todas as pessoas que cruzarem o meu caminho. 

 

Termino o ano grata por todo o contexto de dor que vivi porque reconheço que, por causa da força de todos os meus incômodos, hoje sinto o amor transbordar cada vez mais nas diferentes áreas da minha vida. Tem momentos que até desacredito que tanta bondade possa acontecer, e é nesses momentos que me conecto com o todo, com a espiritualidade.

 

ESTOU PRONTA, MAS NÃO COM A ILUSÃO DE QUE AGORA VAI

 

É óbvio que, ao longo da vida que segue, vou dar de cara com medos antigos (e medos novos), vou passar por outras tantas oscilações hormonais que influenciam meus pensamentos e comportamentos, vou me frustrar comigo mesma e com minhas expectativas, vou me decepcionar e, muito provavelmente, enroscar, travar, surtar. Impermanente é o fluxo. Novos incômodos surgem, novos desafios também e isso é maravilhoso! Não faria sentido ser imutável no processo.

 

Começar um novo ano é só uma continuidade da reflexão que já vem sendo feita. A continuidade de um processo de expansão, que é constante, e um trabalho delicioso para a vida. Eu prefiro agora seguir construindo meus projetos assim, lidando com a realidade imperfeita do ser humano que sou, deixando de lado a ilusão de que já está tudo resolvido e com a clareza de que os meus dramas não são os dramas mais dramáticos do mundo.

 

Estamos todos juntos. Mergulhe!

Cris Ferrari

Investigando e percebendo corpo, ciclo, mente e comportamento. Mestre em fisioterapia, conduz grupos de práticas corporais com diálogos sobre a percepção de corpo e ciclo menstrual. Personal and professional coach, praticante de meditação budista, mãe do Lucas e doida pelo pôr do sol.

Fio condutor: o que conecta seus conhecimentos?

Fio condutor: o que conecta seus conhecimentos?

Sobre transições de carreira e fios condutores.

Eu me formei em fisioterapia. Na época sentia uma curiosidade imensa por entender o que tem por trás do movimento. Músculos, ossos, nervos. De que forma nos empilhamos e nos mantemos de pé? O que faz com que eu me mova, dê um passo, um pulo ou um sorriso?

Meu corpo é humano. Conhecer como ele funciona, nos seus mais diferentes aspectos, sempre foi parte dos meus interesses apaixonados.

Mas não foi na fisioterapia, no modo convencional de entendê-la, que conquistei autonomia financeira e satisfação no trabalho. Foi ao lado de mulheres inquietas e em busca de sua autonomia profissional, financeira, emocional.

Ao conduzir uma rede de mulheres e manifestar minha liderança, aprimorar minha comunicação, desenvolver minha escrita e com isso conquistar confiança, por um tempo eu neguei e achei que estava deixando de lado todo conhecimento aprendido ao longo dos 11 anos em que atuei área da saúde com direcionamento inclusive para a parte acadêmica. Era como se uma habilidade não tivesse nada a ver com a outra e tudo aquilo que sou estivesse separado em caixas de conhecimento. E, não sei se você já fez alguma mudança na vida profissional, mas esse tipo de pensamento e de transição costuma ser acompanhado da sensação de traição, culpa e angústia.

Não precisa ser assim. A vida é como se fosse uma obra de arte, páginas que podem ser escritas da forma como desejamos. Podemos brincar mais, experimentar mais, sonhar mais e, a partir de autorresponsabilidade e amor, podemos arriscar mais. O que pode acontecer se vivermos com essa energia de curiosos?

Hoje, em meio à momentos de dúvidas, crenças e revoltas, eu consigo perceber: minha formação é meu coração, meu norte, minha missão. Tanto em rede com outras mulheres, quanto em equipes ou em sala de aula ensinando outros profissionais, conduzindo práticas corporais, o SER é meu interesse. Pessoas, suas histórias e como se movem a partir do que acontece é o que me interessa. A fisioterapia abriu caminho para que eu pudesse começar a explorar, mas foi deixando a fisioterapia que pude ir além e caminhar descobrindo tudo aquilo que move o ser humano. Quanto mais eu dou passos, mais percebo a amplitude do que é o corpo, do que faz com que cada um de nós se movimente em um sentido ou outro.

Transcende. Está além de músculos, ossos, nervos.

Talvez você se perceba se movimentando em direções que não são exatamente as que gostaria? Temos inconsciências que influenciam nossas atitudes e nos geram pensamentos e falas paralisantes: “Tenho medo de falar em público”, “Não consigo me controlar, sou muito agressiva com meu namorado”, “Ele me deixa pra baixo, mas não consigo sair desse relacionamento”, “Vivo procrastinando e não consigo ganhar dinheiro com meu trabalho”, “Não vou entrar em contato com essa pessoa, ele é ótimo profissional, nem vai dar atenção à minha ideia?”.

Movimentos não se desenrolam somente a partir de músculos, ossos, nervos.

O movimento inclui nossos medos e bloqueios, nossas experiências, nossa emoção, nossa história, nossa ancestralidade, nossa conexão com o todo, com a nossa alma. O movimento, não tenho dúvidas, inclui forças que nossos 5 sentidos não conseguem captar.

O movimento somos nós na nossa maior esfera. Como você se move? O que te move? O que conecta tudo aquilo que você já aprendeu ao longo da sua maravilhosa jornada de vida? Qual o fio condutor?

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PS 1. A foto que ilustra esse post é de uma roda de negócios que conduzi pela de saia. Uma única roda onde reconheço que integrei meus conhecimentos e habilidades. Mais disso farei!

PS 2. Escrevo esse texto durante meu próprio processo de integração de tudo aquilo que aprendi e faz parte de quem eu sou.

Um trabalho de autoconhecimento e espiritualidade que tem me levado a realizar movimentos diferentes do que antes eu considerava o correto. Um trabalho de abertura e ressignificação de propósito e vida.

Um texto que antes eu não publicaria por saber que por trás dele tem uma caminhada de luz que antes eu diria namastê demais e sentiria vergonha em compartilhar. Meu momento é de transição, e nem sei se algum dia deixará de ser, minha base é a autonomia emocional e a autenticidade. Eu tenho medos e tenho também tranquilidades, certezas de que quanto mais eu mergulho na minha essência, mais sinto a plenitude.

E Namastê sim, com beijos de Gratiluz, porque tudo isso também faz parte do meu ser.

Cris Ferrari

Investigando e percebendo corpo, ciclo, mente e comportamento. Mestre em fisioterapia, conduz grupos de práticas corporais com diálogos sobre a percepção de corpo e ciclo menstrual. Personal and professional coach, praticante de meditação budista, mãe do Lucas e doida pelo pôr do sol.

Dance como se não tivesse ninguém olhando

Dance como se não tivesse ninguém olhando

Se existe algo que sinto prazer é prestar atenção no que acontece no ambiente em que estou. Cores, sons, pessoas e suas expressões, sabores, aromas. Meu olhar procura detalhes. Cada estímulo poderia ser poesia, poderia ser a cena de um filme, poderia ser a página de um livro.

Gosto especialmente de observar como o corpo se expressa. Gosto de ver um casal à mesa de um restaurante e ficar imaginando há quanto tempo eles se conhecem, se já possuem intimidade, se dormem juntos todas as noites, quais são os motivos das desavenças entre eles, se eles se permitem viver o amor.

Eu gosto de ver as manifestações do amor.

Outro dia, num restaurante japonês, desses que você encontra orientais comendo na mesa ao lado e presume ser um bom sinal sobre a qualidade da comida, um casal se sentou à minha frente. Ele, nitidamente querendo agradar. Ela, visivelmente encantada. Demorou um tempo até que ele decidisse em qual cadeira se sentar. Foi estranho. Me fez pensar que ele era gago ou que nunca tinha levado uma moça para jantar. Fiquei com a sensação que eles não tinham esse costume. Ela sorria, sem graça, meio tímida, desengonçada e desconfortável no vestido arrumado, que poderia ter sido emprestado da prima mais velha. Sua feição não era exatamente bela, mas estava iluminada pelo carinho que recebia dele.

“Talvez seja o primeiro ou o segundo encontro”, pensei. Ela tinha na postura o ar da conquista. Diria que seu lado mais autoconfiante estava presente. Olhos nos olhos, movimentos delicados, suaves, que seduzem com naturalidade. De repente, um beijo cheio de desejo, ali mesmo, na mesa em que estavam sentados. E, depois do beijo, a demonstração discreta da alegria: o rosto se abaixa, a mão esconde o sorriso, os olhos se fecham e depois se abrem procurando o olhar do outro.

Ela me lembrou uma outra moça que sempre vejo na aula de dança de sexta a tarde, que acontece no lugar onde, no mesmo horário, sempre peço um pedaço de bolo e um capuccino. Ela não tem ritmo. Seu corpo parecia dançar uma música imaginária muito diferente da que tocava no auto falante. Sem sentido, sem padrão, totalmente descompassado. Mesmo assim, ao ver um rapaz dançando sozinho, se aproximou. Ele a recebeu com um sorriso, ajeitando o cabelo encaracolado e bagunçado, segurou a mão dela e os dois se divertiram, como se ali não houvesse mais ninguém.

Isso também me fez lembrar o meu pai que, independente do ritmo que esteja tocando, parece sempre dançar uma valsa. Mas, meu pai não tem a coragem que essas moças tinham. E nem eu. Nos preocupamos demais com o que os outros estão pensando. Não sabemos gozar a vida como as moças desengonçadas. Preferimos muitas vezes ficar sentados, observando.

Na minha “poesia” percebo que elas tem algo em comum: a coragem de ser exatamente quem são, independente da aprovação de quem estiver olhando.

Assim sigo aprendendo a me libertar dos padrões e do que eu imagino que esperam que eu seja ou faça. Sinto, na minha vida, que quando vivencio momentos assim, eles vem do amor. O amor que posso sentir por mim mesma, o amor pela vida, o amor pelo amor!

Dançaremos como se não tivesse ninguém olhando?

Cris Ferrari

Investigando e percebendo corpo, ciclo, mente e comportamento. Mestre em fisioterapia, conduz grupos de práticas corporais com diálogos sobre a percepção de corpo e ciclo menstrual. Personal and professional coach, praticante de meditação budista, mãe do Lucas e doida pelo pôr do sol.

As fases do ciclo menstrual

As fases do ciclo menstrual

O título daquela música não mente: eu sou mulher de fases (ou seria de faces?)

Somos todas cíclicas. O grande desafio é aceitar que esse é o nosso natural e jogar fora a imagem estereotipada da mulher surtada. Não sei, me parece que um bom começo seja conhecer o que acontece com o nosso próprio corpo. Conhecer mesmo, pelo menos o essencial, sobre a liberação dos hormônios nas diferentes fases do ciclo menstrual e o que eles provocam.

Nosso ciclo, mulher, do ponto de vista endócrino, hormonal, físico, é complexo. Não havia outro jeito das emoções se comportarem, senão igualmente de forma complexa.

Vamos com calma. Podemos dividir as fases do nosso ciclo sob diferentes pontos de vista. Dependendo de onde você olha vai encontrar uma explicação diferente. Claro, tudo acontece interligado, mas é olhando cada parte que podemos entender melhor como nosso corpo se comporta.

1.       Sob o ponto de vista dos ovários

 

Se considerarmos o que acontece nos nossos ovários, dividimos o ciclo em duas fases:

Fase folicular, tudo que vem antes da ovulação, e fase lútea tudo que acontece depois da ovulação.

O primeiro dia da menstruação é o primeiro dia do ciclo e marca o início da fase folicular, que deve se encerrar por volta do 13º ou 14º dia, quando você ovular.

Na fase folicular, o corpo feminino libera um hormônio chamado hormônio folículo estimulante. É uma glândula, conhecida como hipófise, que produz e libera esse hormônio. E o que ele faz? Ele estimula o folículo ovariano, ou seja, a formação de um monte de células contidas dentro o óvulo. Esse folículo cresce amadurecendo o óvulo e com isso o corpo começa a produzir um outro tipo de hormônio chamado estradiol (o estrogênio vem dele), que faz a parede que reveste o útero começar a se preparar para receber um possível embrião.

Quando o óvulo está formado e maduro o tal do folículo se rompe e o óvulo é liberado e direcionado às tubas uterinas com ajuda de fímbrias, que é como se fossem pequenos tentáculos. Isso vai acontecer praticamente na metade do seu ciclo marcando o início da fase lútea.

Você pode perceber que a ovulação está chegando porque a vagina produz um muco mais viscoso, que parece uma clara de ovo. A libido também costuma mudar quando chega a ovulação e muitas mulheres sentem também uma cólica bem pontual.

Com a ovulação o corpo começa a produzir a progesterona, que é o hormônio fundamental para manutenção da parede que reveste o útero para receber o embrião. Se o óvulo foi fecundado, ele se implanta no endométrio e começa a gestação. Se não há fecundação, não há embrião e, portanto, não há bebê. E é aí que o corpo deixa de produzir a progestrerona. É como um sinal para o nosso organismo: “Hey, não tem embrião. Pode deixar de sustentar essa parede do útero aí”.

E então, acontece a queda hormonal. Sem a progesterona e o estrogênio o endométrio não se sustenta. A parede do útero descama junto com sangue e começa então outro ciclo com a chegada da menstruação. A fase lútea dura 14 dias.

Sob o ponto de vista do útero

 

Uma coisa é o que acontece com os ovários: folículo amadurece, libera óvulo e pronto. É a essência da vida.

Mas nesse tempo, o que acontece com o útero?

Sob o ponto de vista do ciclo uterino, o ciclo menstrual é dividido em 4 fases (respira que tá tudo bem. Ao longo do processo você começa a sacar melhor):

2.1. Fase menstrual;

2.2. Fase pré-ovulatória (proliferativa ou estrogênica);

2.3. Fase ovulatória;

2.4. Fase pré menstrual (Secretora ou progestacional).

Acompanhe:

 

1. Fase menstrual

 

Estamos menstruando, certo? Estrogênio e progesterona estão em baixa. Significa que não houve fecundação, toda a preparação da parede do útero para receber o óvulo foi em vão e então. Com a queda da progesterona, o endométrio se descama junto com sangue. Por isso que existem alguns coágulos junto com o sangue e a cor pode variar.

 

2. Fase pré-ovulatória

 

a partir do momento que menstruamos, devagarinho o corpo começa a produzir o estrogênio. Um hormônio danado que influencia demais o nosso corpo. Sua concentração aumenta conforme o folículo ovariano amadurece e atinge o pico da sua produção na ovulação.

 

3. Fase ovulatória

 

temos um pico de estrogênio e junto com isso o início da produção da progesterona que vai fazer a modificação e sustentação da parede do útero pro caso de haver uma fecundação. A parede do endométrio fica bem espessa paro embrião poder “grudar” ali e começar a crescer.

 

4. Fase pré-menstrual

 

se houve a fecundação a progesterona continua aumentando e se mantém alta durante toda a gravidez. Mas se não houver embrião, os níveis de progesterona começam a cair e, até que, sem a ação deste hormônio a parede do útero começa a se descamar. E, então, começa novo ciclo menstrual.

 

 

Sob o ponto de vista emocional/comportamental – nossa lunação

 

Mas e quando a mulherada não sabia nada sobre essa coisa de variação hormonal? Mulheres simplesmente observavam como se sentiam e respeitavam os pedidos do corpo, seguindo os sinais da sua própria natureza. Essa observação dá origem a um conhecimento que faz referência do nosso ciclo menstrual com as fases da lua.

O ciclo lunar, da natureza, tem também 28 dias, você sabia? Assim como a média de duração do nosso ciclo menstrual. E, a partir da observação dos fenômenos comportamentais, foi possível ampliar a visão para a totalidade do corpo e identificar padrões que acontecem em cada fase do ciclo.

Assim, sob o ponto de vista lunar nosso ciclo também é dividido em 4 fases (coincidência?):

Lua nova: equivalente à fase menstrual. Estamos iniciando um novo ciclo. Pede reflexão e cuidado.

Lua crescente: equivalente à pré-ovulatória. Começamos a ganhar nova energia de criatividade.

Lua cheia: equivale à fase ovulatória. Estamos no nosso pico de energia, em expansão, querendo exteriorizar, manifestar a nossa luz.

Lua minguante: equivalente à fase pré-menstrual. Quando o corpo se prepara para uma gestação ou para um novo ciclo. Estamos mais interiorizadas com a possibilidade de gerarmos nova vida.

Conhecendo cada uma das fases do nossos ciclo, podemos também compreender melhor o nosso comportamento. Me conte, você sabe em que fase do ciclo está?

Cris Ferrari

Investigando e percebendo corpo, ciclo, mente e comportamento. Mestre em fisioterapia, conduz grupos de práticas corporais com diálogos sobre a percepção de corpo e ciclo menstrual. Personal and professional coach, praticante de meditação budista, mãe do Lucas e doida pelo pôr do sol.