Sobre transições de carreira e fios condutores.

Eu me formei em fisioterapia. Na época sentia uma curiosidade imensa por entender o que tem por trás do movimento. Músculos, ossos, nervos. De que forma nos empilhamos e nos mantemos de pé? O que faz com que eu me mova, dê um passo, um pulo ou um sorriso?

Meu corpo é humano. Conhecer como ele funciona, nos seus mais diferentes aspectos, sempre foi parte dos meus interesses apaixonados.

Mas não foi na fisioterapia, no modo convencional de entendê-la, que conquistei autonomia financeira e satisfação no trabalho. Foi ao lado de mulheres inquietas e em busca de sua autonomia profissional, financeira, emocional.

Ao conduzir uma rede de mulheres e manifestar minha liderança, aprimorar minha comunicação, desenvolver minha escrita e com isso conquistar confiança, por um tempo eu neguei e achei que estava deixando de lado todo conhecimento aprendido ao longo dos 11 anos em que atuei área da saúde com direcionamento inclusive para a parte acadêmica. Era como se uma habilidade não tivesse nada a ver com a outra e tudo aquilo que sou estivesse separado em caixas de conhecimento. E, não sei se você já fez alguma mudança na vida profissional, mas esse tipo de pensamento e de transição costuma ser acompanhado da sensação de traição, culpa e angústia.

Não precisa ser assim. A vida é como se fosse uma obra de arte, páginas que podem ser escritas da forma como desejamos. Podemos brincar mais, experimentar mais, sonhar mais e, a partir de autorresponsabilidade e amor, podemos arriscar mais. O que pode acontecer se vivermos com essa energia de curiosos?

Hoje, em meio à momentos de dúvidas, crenças e revoltas, eu consigo perceber: minha formação é meu coração, meu norte, minha missão. Tanto em rede com outras mulheres, quanto em equipes ou em sala de aula ensinando outros profissionais, conduzindo práticas corporais, o SER é meu interesse. Pessoas, suas histórias e como se movem a partir do que acontece é o que me interessa. A fisioterapia abriu caminho para que eu pudesse começar a explorar, mas foi deixando a fisioterapia que pude ir além e caminhar descobrindo tudo aquilo que move o ser humano. Quanto mais eu dou passos, mais percebo a amplitude do que é o corpo, do que faz com que cada um de nós se movimente em um sentido ou outro.

Transcende. Está além de músculos, ossos, nervos.

Talvez você se perceba se movimentando em direções que não são exatamente as que gostaria? Temos inconsciências que influenciam nossas atitudes e nos geram pensamentos e falas paralisantes: “Tenho medo de falar em público”, “Não consigo me controlar, sou muito agressiva com meu namorado”, “Ele me deixa pra baixo, mas não consigo sair desse relacionamento”, “Vivo procrastinando e não consigo ganhar dinheiro com meu trabalho”, “Não vou entrar em contato com essa pessoa, ele é ótimo profissional, nem vai dar atenção à minha ideia?”.

Movimentos não se desenrolam somente a partir de músculos, ossos, nervos.

O movimento inclui nossos medos e bloqueios, nossas experiências, nossa emoção, nossa história, nossa ancestralidade, nossa conexão com o todo, com a nossa alma. O movimento, não tenho dúvidas, inclui forças que nossos 5 sentidos não conseguem captar.

O movimento somos nós na nossa maior esfera. Como você se move? O que te move? O que conecta tudo aquilo que você já aprendeu ao longo da sua maravilhosa jornada de vida? Qual o fio condutor?

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PS 1. A foto que ilustra esse post é de uma roda de negócios que conduzi pela de saia. Uma única roda onde reconheço que integrei meus conhecimentos e habilidades. Mais disso farei!

PS 2. Escrevo esse texto durante meu próprio processo de integração de tudo aquilo que aprendi e faz parte de quem eu sou.

Um trabalho de autoconhecimento e espiritualidade que tem me levado a realizar movimentos diferentes do que antes eu considerava o correto. Um trabalho de abertura e ressignificação de propósito e vida.

Um texto que antes eu não publicaria por saber que por trás dele tem uma caminhada de luz que antes eu diria namastê demais e sentiria vergonha em compartilhar. Meu momento é de transição, e nem sei se algum dia deixará de ser, minha base é a autonomia emocional e a autenticidade. Eu tenho medos e tenho também tranquilidades, certezas de que quanto mais eu mergulho na minha essência, mais sinto a plenitude.

E Namastê sim, com beijos de Gratiluz, porque tudo isso também faz parte do meu ser.

Cris Ferrari

Investigando e percebendo corpo, ciclo, mente e comportamento. Mestre em fisioterapia, conduz processos individuais e em grupos que despertam maior conhecimento sobre si mesmo, com diálogos sobre a mente, a percepção do corpo e do comportamento e que inclui o ciclo menstrual. Personal and professional coach, praticante de meditação budista, mãe do Lucas e doida pelo pôr do sol.