Quando percebi o primeiro pensamento de dúvida e crítica sobre ideias tão bacanas comecei a ficar atenta. Possivelmente outros como esse viriam, anunciando que a fase pré-menstrual estava chegando. Assim acontece comigo. De repente tudo aquilo que gosto e me faz vibrar se torna alvo de questionamentos internos.

Não, eu não gosto muito dessa mudança repentina na minha autoconfiança. Acho que ninguém gosta. A gente gosta de se sentir bem, bonita, produtiva, uma mulher phod@. Mas não é assim sempre. Ou é com você?

Tem gente que prefere colocar música animada, dizer afirmações positivas em frente ao espelho. É verdade que uma boa música até me levanta o semblante, como diria minha vó, mas essa coisa do espelho faz com que eu me sinta meio boba, meio fake. A menos que venha do coração. Porque senão, a quem estou tentando enganar?

Já eu, eu não. Não gosto de fingir que essa fase não existe. Já fiz isso e fiz estragos. Porque no fingir eu mascarava o sentimento, que às vezes é de tristeza, às vezes frustração, às vezes raiva, e quando via, já virava explosão. Putz, quantas falas agressivas podem sair de um corpo mascarado que esconde o que sente ou que nem sequer percebe a emoção…

Sei lá. A cada ciclo aprendo um pouco sobre como posso aproveitar esse momento. Já aprendi, por exemplo, que é na fase pré-menstrual que gosto de fazer os balanços. Porque no fundo, no fundo, sempre temos umas coisinhas que não servem mais nessa vida. E não estou falando de roupas. É nesse período que o que me incomoda fica ainda mais incômodo. Posso, então, olhar com cuidado. Eu faço isso ouvindo música de piano e com o caderno de escrita e desenho na mão. São rabiscos ótimos os que surgem!

Também tenho pensado em buscar ajuda. Pedir a companhia de alguém que saiba exatamente como respeitar meu momento e ao mesmo tempo me inspirar. Ficar sozinha tem sua medida nesses dias. E não dá pra ser alguém muito “frases de autoajuda” porque isso costuma me irritar profundamente. Existe coisa pior do que você estar de bode, se sentindo desmotivada e alguém dizer: “Não fica assim, você precisa se animar. Olha quanta coisa boa você tem na vida!”. Tá, tudo depende. Às vezes funciona.

Meu namorado hoje me perguntou, com carinho, se podia colocar a mão no meu ombro enquanto caminhávamos no shopping em busca daquela única agenda que eu queria comprar. Eu ri. Mas poderia ter ficado brava. TPM tem dessas insconstâncias desesperadoras. Felizmente, para mim e para ele, estou atenta. E que bom que encontramos exatamente a agenda que eu queria. Lidar com a frustração nesses dias costuma ser mais complexo. E que bom que ele me pagou aquele capuccino cheio de raspas chocolate, que ele insiste em tomar/comer feito sobremesa. Vai entender…

Cris Ferrari

Investigando e percebendo corpo, ciclo, mente e comportamento. Mestre em fisioterapia, conduz processos individuais e em grupos que despertam maior conhecimento sobre si mesmo, com diálogos sobre a mente, a percepção do corpo e do comportamento e que inclui o ciclo menstrual. Personal and professional coach, praticante de meditação budista, mãe do Lucas e doida pelo pôr do sol.